Em São Vicente, toda obra viária que ignora a natureza compressível dos solos da planície litorânea acaba enfrentando deformações prematuras. A cidade, assentada sobre depósitos quaternários de areia fina e argila orgânica mole com lençol freático quase aflorante, exige um projeto de pavimento flexível que vá além da simples adoção de catálogos genéricos. O dimensionamento precisa incorporar dados reais de capacidade de suporte, obtidos por ensaios de campo como o CBR viário executados in situ, para que as camadas de base, sub-base e revestimento asfáltico resistam às cargas repetidas do tráfego sem sofrer afundamentos. A proximidade do mar e a ação constante da umidade aceleram a oxidação do ligante asfáltico e reduzem a vida útil do pavimento, tornando a escolha correta dos materiais e da espessura das camadas uma decisão técnica que define o custo operacional da via nas próximas décadas.
Subdimensionar um pavimento flexível sobre solos moles vicentinos não é economia: é um custo futuro multiplicado por trincas e remendos constantes.



