São Vicente, primeira vila do Brasil, está assentada em uma planície sedimentar onde quase 80% do território é composto por terrenos de mangue e restinga. Esse solo carrega uma história geológica de deposição recente, com camadas de argila orgânica mole que podem atingir mais de 15 metros de espessura em bairros como o Centro e a região da Praia dos Milionários. Para obras nesse cenário, o projeto de radier se impõe como a solução mais coerente para distribuir cargas sem provocar recalques diferenciais severos. O dimensionamento criterioso da laje de fundação evita patologias comuns no litoral vicentino, onde a resistência do solo raramente ultrapassa 3 ou 4 SPT nos primeiros metros. Ao contrário das sapatas isoladas, o radier trabalha como uma placa rígida que absorve as irregularidades do terreno, protegendo a superestrutura contra trincas e desaprumos que surgem em menos de dois anos se a fundação for mal calculada. Combinamos esse dimensionamento com um ensaio de placa de carga executado in loco para calibrar os coeficientes de reação vertical, garantindo que o modelo estrutural reflita o comportamento real do solo vicentino.
Em solo vicentino, o radier não é apenas uma laje: é uma estrutura que negocia com o recalque sem transferir danos à edificação.



