O martelo de 65 kgf cai em queda livre sobre a cabeça de bater, e a cada 15 centímetros de penetração do amostrador padrão no solo vicentino a gente anota o número de golpes. Esse é o ritmo do ensaio SPT que executamos em São Vicente, onde as formações sedimentares da Baixada Santista impõem atenção redobrada ao operador da sonda. A cidade, com seus 332 mil habitantes distribuídos entre o sopé da Serra do Mar e a linha de costa, apresenta perfis de subsolo que vão de areias finas compactas nas partes altas do Centro a argilas orgânicas muito moles nos bairros de mangue. Em mais de duas décadas de campanhas na Ilha de São Vicente, o que mais vemos é a alternância brusca de resistência: camadas de 3 a 5 metros com Nspt abaixo de 2, seguidas por pacotes arenosos com Nspt superior a 20, cenário típico de paleocanais. Complementamos a campanha SPT com o ensaio CPT quando o projeto exige perfil contínuo de resistência de ponta, especialmente nas regiões de aterro sobre mangue onde a camada compressível é espessa e a estratigrafia muda lateralmente em poucos metros.
Em São Vicente, não perfuramos apenas para cumprir norma: cada metro de SPT conta a história geológica de transgressões e regressões que moldaram a planície costeira.



