O maciço cristalino da Serra do Mar avança sobre a planície costeira de São Vicente criando um relevo de escarpas íngremes e morros isolados com declividades que frequentemente superam 30 graus. Essa configuração geológica, somada aos índices pluviométricos que podem ultrapassar 2.500 mm anuais na região, transforma qualquer intervenção em encosta num desafio técnico que exige muito mais que uma simples inspeção visual. A ocupação histórica dos morros vicentinos — do Parque Bitaru até a Área Continental — gerou cortes e aterros cuja estabilidade depende hoje de avaliações quantitativas rigorosas. Nossa equipe atua em São Vicente com foco em uma pergunta central: qual o fator de segurança real do talude sob as piores condições de saturação? Para responder isso combinamos reconhecimento geológico-geotécnico de campo com retroanálises baseadas em parâmetros de resistência obtidos em laboratório próprio, seguindo os procedimentos da ABNT NBR 11682:2009. Quando o perfil indica presença de solo residual jovem ou colúvio, é comum complementar a investigação com sondagens SPT para calibrar a estratigrafia antes de definir a geometria de análise.
Um talude com fator de segurança 1,3 em condição seca pode colapsar com fator 0,95 após 72 horas de chuva contínua — a diferença está na análise saturada.



